Se pensarmos bem, com certeza, o Nando foi a pessoa que mais amamos. Cada um à sua maneira, mas era impossível ficar indiferente aquele jeito de sorrir, de olhar, de observar e dividir. O Nando era muito especial. Um coração que deixava a gente arrepiada. Festas organizadas por ele, quem foi sabe, inesquecíveis.

Amava tudo: as paisagens que retratava com sensibilidade emocionante. E fotografava o que via, com uma percepção incomparável. Sabia ver e nos revelava a vida de um jeito que surpreendia. Gostava de experimentar novos pratos, apreciava sim uma boa mesa. Gostava de jogar buraco, de ler compulsivamente e adorava seus inesquecíveis Van Gogh e Tarsila do Amaral, fieis escudeiros até sua partida.

Amava os amigos e os conservava com carinho exemplar. Conheci muitos deles ali na sala de sua casa, naquela mesa imensa, mesmo local onde ele e Luciana recebiam seus alunos para aulas e para degustar especiarias que eles preparavam para nós, seus amigos.

Ficar naquela sala era conviver com a arte plena – dali se ouvia ótima música, viam-se telas e quadros e muitas esculturas... Viam-se muitos livros de arte, centenas de dvds... E os cãezinhos eram alimentados com amor e carinho por Nando. Era uma casa muito alegre e diferente. Arte + muita arte + e dezenas de artistas. 

E nosso amigo se foi. Vai ser estranho chegar o seu aniversário e não irmos todos para o Cozinha de Minas abraçá-lo. Vai ser muito difícil imaginar a Savassi sem esperar seu caminhar vagaroso e ver o seu sorriso lindo. A Quixote vai chorar muito a sua falta aos sábados. E como será sem graça não ver mais as suas fotos ilustrando todos os cadernos de cultura de todos os jornais...

Eu, pessoalmente, além de perder um amigo que dividia comigo tantas alegrias e tão pouca tristeza – coisa que se ele tinha, não fazia questão alguma de externar - perco aqui um parceiro de longa jornada. Desde sempre dividimos ideais, livros, discos, ideias, shows, vontades, viagens, exposições e canções.

O bom da vida é ser feliz, já se cantou por aí. E quem pode desfrutar da amizade do Nando, com certeza pensa até com um certo alívio: ter tido o Nando por perto nos faz hoje muito mais felizes. Obrigada Nando, a gente não vai te esquecer nunca! 

Malluh Praxedes é escritora, jornalista e produtora cultural.
foto: Luciana radicchi