São muitas as lendas em torno da origem e evolução das técnicas de gravação de áudio. Há rumores de cerca de 2000 anos antes de Cristo, de que um imperador chinês teria ganhado uma caixa com uma mensagem sonora e outros tantos relatos sobre o som gravado, que se torna difícil uma precisão nas afirmativas sobre o verdadeiro começo e tentativas de se registrar o som. Na literatura francesa constam informações que remontam ao século XVI e século XVIII, onde se lê passagens que nos induzem à crença de que já havia algumas investidas na busca de afixação do som, muito provavelmente, no início, da fala humana. (1)

Apesar de várias tentativas na busca de se gravar os sons, foi a partir do pintor francês Leon Scott, em 1857, a quem se credita a invenção do Fonautógrafo, aparelho que registra o som mas não o reproduz, que percebemos, pela primeira vez, a possibilidade de se armazenar informações de áudio em algum suporte físico. 

“O seu aparelho era constituído por um funil com uma membrana esticada na extremidade estreita, no centro desta membrana estava fixada uma cerda de Porco, o estilete. Este estilete roçava contra uma folha de papel escurecida com fumo enrolada num cilindro que se movia manualmente, as vibrações do som faziam mexer o estilete inscrevendo o som no papel, a máquina não podia era reproduzir o som gravado”. (2)

Alguns anos depois, Thomas Alva Édison apresenta o “Fonógrafo”, aparelho capaz de reproduzir os sons gravados. Esse invento levanta uma grande polêmica em torno de sua paternidade. Havia um projeto de um sistema de gravação e reprodução apresentado por Charles Cros à Academia de Ciências Francesa cujo nome seria “Paléophone” e ambos eram muito parecidos com o modelo idealizado por Leon scott.

Foi somente em 1886 que surgiu o Gramofone, registrado por Chichester Bell e Charles Sumner Tainer, que passaria por várias fases de aperfeiçoamento até surgirem os primeiros “Toca-discos elétricos”.

Em 1892 teve início a utilização de um disco “Matriz”, do qual se originavam as cópias. Era o começo do que até há poucos anos chamávamos de prensagem, replicagem. Naquela época os discos eram prensados a partir de matrizes obtidas por galvanoplastia num composto à base de goma-laca. Essa prática se manteria até o aparecimento da micro-gravação em 1943.

Finda a II Guerra Mundial surgiria o Vinil que substituiria a goma-laca, matéria prima dos discos de 78 rotações.“Este novo material permitia que os sulcos dos discos fossem mais estreitos, o que poderia reduzir a velocidade e aumentar a duração dos mesmos tocando cerca de 23 minutos de cada lado a 33 1/3 RPM. Este novo disco foi introduzido pela Columbia e recebeu o nome de Long Playing ou simplesmente LP”. (3)

Em nosso país, a tecnologia das gravações mecânicas foi, a partir dos anos 20, sendo substituída pelo sistema de gravação elétrica. Com as novas possibilidades e “agilização” da reprodução de cópias, além do ganho expressivo na qualidade do som, deu-se o início das empresas especializadas na produção de música gravada, que viriam a ser chamadas, num futuro próximo, de gravadoras ou selos musicais.

Com a diminuição do custo de aparelhos reprodutores, os chamados “Toca-discos”, houve uma proliferação, em todo o Brasil, de Selos nacionais especializados em gravação e distribuição de música. Alguns foram elevados ao status de gravadora e subsistiram durante muitos anos, sucumbindo somente à pressão de um mercado fonográfico que passaria por uma fase de grande vigor no Brasil e seria liderado por um pequeno grupo de grandes empresas multinacionais instaladas no país com grandes interesses econômicos.

Em Belo Horizonte o selo Bemol, criado na década de 1960, contribuiu para o fomento de uma cultura de gravações e profissionalização da música produzida no estado, ampliando a produção e distribuição musical para todo o país e criando um catálogo com alguns títulos existentes, ainda hoje, no formato CD.
Aqui começa nossa história...

(1) François Rabelais no seu livro “Pantagruel” descreve “Palavras congeladas” e Hector – Savinien Cyrano descreve numa das suas obras uma complicada caixa que permitia “ler com as orelhas”.
(2) Jorge Guimarães Silva (Texto sobre a história das gravações) - http://telefonia.no.sapo.pt/record.htm
(3) Jorge Guimarães Silva (Texto sobre a história das gravações) - http://telefonia.no.sapo.pt/record.htm

Bibliografia:

Tinhorão, José Ramos. 1981. Música Popular: do Gramofone ao Rádio e TV.
São Paulo: Ática.
Gravando!: os bastidores da música - Phil Ramone com Charles L. Granata – 2008 - Rio de Janeiro – Guarda-Chuva.
Fazendo Música: o guia para compor, tocar e gravar / organizado por George Martin Brasília: Editora Universidade de Brasília, São pailo: Imprensa Oficial do Estado, 2002.

Geraldo Vianna é violonista, arranjador e produtor musical