No oitavo evento, após apresentarem-se os 12 pré-classificados nas noites de 28 e 29 de março de 2008, no Teatro Sesiminas, o júri proclamou os quatro vencedores: os violonistas Felipe José, Jorge Bonfá e Maurício Ribeiro, e o pianista Bernardo Rodrigues. De acordo com o regulamento, cada um tocou duas composições próprias e outra de um grande compositor brasileiro, à sua escolha, cabendo-lhe a tarefa de escrever o respectivo arranjo. Deve-se também realçar as ótimas apresentações dos finalistas João Antunes e Tabajara Belo, ambos violonistas. Além dos vencedores, foram premiados o violonista Tabajara Belo na categoria de “Melhor Instrumentista”; Felipe José, na categoria “Melhor Arranjo”; o trombonista Leonardo Brasilino (do conjunto de Jorge Bonfá) na categoria de “Melhor Acompanhante”; e o “Prêmio Marco Antonio Araújo” para “Melhor CD Instrumental de 2007” foi conferido a “Autoral”, do violonista Celso Moreira.

A nona edição do Prêmio BDMG-Instrumental, realizada dias 17, 18 e 19 de abril de 2009, no Teatro Sesiminas, em Belo Horizonte, reafirmou o alto nível dos músicos mineiros. Após apresentarem-se os 12 pré-classificados nas noites de 17 e 18 de abril, o júri selecionou os seis concorrentes para a grande final na noite seguinte. Desses foram eleitos os quatro vencedores: o flautista Alexandre André, a vibrafonista Daniela Rennó e os contrabaixistas Frederico Heliodoro e Vagner Faria; eles receberam o prêmio de
R$ 7.000,00 cada, além da produção de três shows: o primeiro, no Teatro da Biblioteca Pública, em Belo Horizonte, o segundo no SESC Avenida Paulista, em São Paulo, no “Projeto Instrumental Sesc Brasil”, e o terceiro em Ipatinga, com a participação dos quatro vencedores no Teatro Usicultura.

Os outros dois finalistas, Helvécio Viana (violonista) e Rodrigo Lana (pianista), receberam o prêmio de R$ 2.000,00 cada. Em suas apresentações, os seis finalistas tocaram duas composições próprias mais uma de um grande compositor brasileiro, à sua escolha, cabendo-lhes a tarefa de escreverem o respectivo arranjo. O cavaquinista Warley Henrique recebeu o “Prêmio Marco Antônio Araújo” pelo seu CD "Delicado", eleito Melhor CD do Ano. Foram igualmente agraciados com o prêmio de R$ 1.000,00 o flautista Alexandre Andrés, na categoria de "Melhor Arranjo" para a música "Lilia"; o saxofonista Jonas Vitor e o trompetista Juventino Dias, empatados na categoria de "Melhor Instrumentista", e o baterista Márcio Bahia na categoria "Melhor Músico Acompanhante".

O quinteto do talentoso flautista Alexandre Andrés, de 19 anos, exibiu uma elogiável concepção de grupo; integrado por Ayran Nicodemo (violino), Gustavo Amaral (violão), Regina Amaral (piano) e Adriano Goyatá (bateria e marimba de vidro), dando uma bela demonstração de unidade, entendimento e entrosamento interpretando suas composições “Menino” (executada com uma variação de contraponto de marimba) e “Floresta” (peça mais suingada com alteração de andamento entremeada por efeitos de flauta), ambas cuidadosamente elaboradas, além da mencionada “Lília”, de Milton Nascimento, em clima mais intenso sobressaindo o violino como escudeiro do flautista no arranjo que valeu-lhe o prêmio de “Melhor Arranjo do Evento”.

O quinteto da vibrafonista Daniela Rennó apresentou uma instrumentação pouco ortodoxa, com Iara de Andrade (acordeão), Matheus Barbosa (guitarra), Pedro Santana (contrabaixo) e Márcio Bahia (bateria). É interessante observar a presença das duas moças no vibrafone e acordeão, sem dúvida uma instrumentação inédita em conjuntos dessa natureza. Em suas composições “Acorde Home”, uma peça lírica com introdução de acordeão, Daniela retém seu clima poético inicial, com grande feeling, que adiante transforma-se numa atmosfera alegre de real originalidade; “È!...Zequias”, um samba rasgado com muito balanço com Rogério Sam (cuíca) no lugar de Iara Andrade, ofereceu excelentes solos de Pedro Santana e Matheus Barbosa. O arranjo inventivo de Daniela para “O Vôo da Mosca”, de Jacob do Bandolim, sem percussão, em andamento supersônico, exigindo muita técnica e precisão dos músicos, arrebatou o público pela forma impecável da sua interpretação repleta de extraordinária stamina e entusiasmo.

O baixista Frederico Heliodoro liderou um quinteto de peso, integrado por Jonas Vitor (saxes alto e tenor), Juventino Dias (trompete), Rafael Martini (piano) e André “Limão” Queiroz (bateria). Frederico revelou sua capacidade de compositor em “Elétrico” (após longa abertura de piano, o tema assume um clima derivado do pop e funk, de efeito fulminante na platéia) e “Junho” (explorando o ataque dos instrumentistas de sopro, ambos com improvisações de alto nível). O arranjo de Heliodoro para “Vento Bravo”, de Edu Lobo e Paulo César Pinheiro, levantou a platéia devido à força de expressão do quinteto, brilhando mais uma vez os solos de Juventino, Jonas Vitor, Rafael Martini e do líder.

O baixista Vagner Faria não fez por menos, à frente de um excelente quarteto completado por Aulus Mourão (piano), Renato Saldanha (violão) e o extraordinário baterista Edvaldo Ilzo, que tanto me impressionou no evento do ano anterior por suas excelsas qualidades e alta categoria. O conjunto mostrou sua perfeita integração musical em performances interpretando as composições “Além do Olhar”, cujo desempenho incorporou um correto e preciso jogo de dinâmica, oferecendo uma série de acentuações e inflexões sugestivas, e “Quase sem ar”, peça ritmicamente fascinante em constante ebulição realçando a unidade do quarteto, a interação eloqüente e o entendimento entre baixo e violão, com um solo modelar do pianista Aulus Mourão e atuação soberba de Edvaldo Ilzo; seu engenhoso e surpreendente final foi agraciado pela citação de “Jesus, Alegria dos Homens”, de Bach. O arranjo magistral de Vagner Faria para o medley de Milton Nascimento englobando “Viola Violar” e “Cravo e Canela”, iniciou com uma surpreendente e engenhosa abertura de ‘free jazz”, ou jazz de vanguarda, exposta em uníssono irrepreensível de piano-violão, coroando a ótima apresentação do quarteto.

Devemos ainda mencionar as elogiosas apresentações do quinteto de Rodrigo Lana, pianista de grande talento influenciado pela música clássica, cujo futuro apresenta-se risonho e alvissareiro; a do violonista Helvécio Viana; o quarteto do bandolinista Rubim do Bandolim deixou-me profunda impressão devido às performances primarem pela absoluta precisão, unidade e integração, mesmo sendo obrigados a interromper duas vezes devido a problemas de som.

Como integrante do corpo de jurados de “Prêmio BDMG-Instrumental” desde sua primeira edição, em 2001, acredito que o nível deste evento impar em nosso país eleva-se a cada ano. Após o seu encerramento, que considerei memorável, sugeri à sua coordenadora Malluh Praxedes que, a partir do próximo ano, por ocasião da sua décima edição, todas as apresentações sejam gravadas em disco/DVD a fim de perpetuar a relevante história em prol da música instrumental promovida pelo BDMG-Cultural.

Resta-nos aguardar ansiosamente a décima edição do Prêmio BDMG-INSTRUMENTAL de 2010.

José Domingos Raffaeli é jornalista e crítico musical