Essa questões do mundo midiático versus arte são intrincadas até para quem vive de entendê-las. O inimigo, conhecido que é, sobrevive transitando nos limites de uma dúvida simples: inimigo de quem, cara pálida? A grande massa pátria não sabe – e é, sim, tratada como idiota há eras pelos organismos comandantes da mídia. Basta sentar-se em frente à tevê e assistir a um anúncio de cerveja, qualquer um. O mais interessante é que a moçada parece gostar quando exposta a tolices desse tipo; não lhes passa pela cabeça que a cena de um bando de sandeus apodrecendo – literalmente – enquanto enche a cara de cerveja na praia só pode ser produto de uma imaginação predisposta ao insulto. Os cervejeiros se submetem a esse e a outros papéis piores ainda, sem acusar o golpe, já que estão fortemente possuídos pela idéia de que o que aparece na tevê é bom e pronto, simples assim.

Os tempos são outros! Todos que de alguma forma estão ligados à produção cultural nos dias de hoje fatalmente se deparam com essa frase, ou com essa idéia, ao menos uma meia dúzia de vezes por dia. E essa é uma afirmação absolutamente inegável. Não serei eu aqui a querer contrariar evidências tão claras de que o mundo da cultura em geral, e particularmente o da música, sofreu uma brutal transformação nos últimos 10/15 anos. E essa mudança decorrente das possibilidades tecnológicas atuais é tão cantada e decantada - quase sempre com uma grande dose de deslumbramento contemporâneo - que nem se torna necessário dimensioná-la, ou enumerar as consequências práticas dela decorrentes no dia a dia de quem lida com o universo da música. Seria redundante. Sendo assim, vou direto à pergunta que me martela a cabeça constantemente, pergunta que certamente irá me colocar no papel de advogar a favor do rabudo, do canhoto, do pé-preto, ou seja, do popular diabo: até que ponto esses tempos são realmente novos, ou eles reproduzem as mesmas velhas questões recorrentes de tempos atrás, em um contexto diferente? Pensar sobre essa questão gera inevitavelmente uma série de outras, o que me traz a sensação quase física de me situar como artista em um terreno movediço, incerto, no qual o referencial de uma verdade única torna-se cada dia mais difícil.  

Tenho medo, nojo e ódio de qualquer ditadura. Era um menino nos idos de 1964, e passei mais de 20 anos sofrendo com a convivência diária com a ignorância e a violência do regime militar. Eu o combati com as armas que tinha e me pareciam justas: ideias e canções. Hoje me arrepio diante do descaso dos governantes brasileiros em abrir os documentos que restaram daquela época, para que os filhos e netos de minha geração saibam do que aconteceu neste país maravilhoso. Para que tenham consciência de que aquilo não pode voltar a ocorrer. Aprendi a louvar a democracia como o maior dos bens da política e da cidadania.

No oitavo evento, após apresentarem-se os 12 pré-classificados nas noites de 28 e 29 de março de 2008, no Teatro Sesiminas, o júri proclamou os quatro vencedores: os violonistas Felipe José, Jorge Bonfá e Maurício Ribeiro, e o pianista Bernardo Rodrigues. De acordo com o regulamento, cada um tocou duas composições próprias e outra de um grande compositor brasileiro, à sua escolha, cabendo-lhe a tarefa de escrever o respectivo arranjo. Deve-se também realçar as ótimas apresentações dos finalistas João Antunes e Tabajara Belo, ambos violonistas. Além dos vencedores, foram premiados o violonista Tabajara Belo na categoria de “Melhor Instrumentista”; Felipe José, na categoria “Melhor Arranjo”; o trombonista Leonardo Brasilino (do conjunto de Jorge Bonfá) na categoria de “Melhor Acompanhante”; e o “Prêmio Marco Antonio Araújo” para “Melhor CD Instrumental de 2007” foi conferido a “Autoral”, do violonista Celso Moreira.

Se pensarmos bem, com certeza, o Nando foi a pessoa que mais amamos. Cada um à sua maneira, mas era impossível ficar indiferente aquele jeito de sorrir, de olhar, de observar e dividir. O Nando era muito especial. Um coração que deixava a gente arrepiada. Festas organizadas por ele, quem foi sabe, inesquecíveis.

Minas Gerais sempre foi e continua sendo um celeiro de músicos, embora nem sempre fossem divulgados como merecem fora do seu estado. Entretanto, como jornalista carioca ligado à música, há muitos anos conheci e/ou travei contato através de discos, shows ou entrevistas com inúmeros músicos e compositores mineiros que muito contribuíram para a evolução e sedimentação da música instrumental interpretada em Minas Gerais. Entre muitos outros, Pacífico Mascarenhas, Toninho Horta, Wagner Tiso, Pascoal Meirelles, Nivaldo Ornelas, Yury Popoff, Chiquito Braga, Caxi Rajão, Gilvan de Oliveira, Lena Horta, Juarez Moreira, André Dequech, Geraldo Vianna, Célio Balona, Nelson Ângelo, Esdra “Neném” Ferreira, Cleber Alves, Ivan Corrêa, Túlio Mourão, Weber Lopes, Flávio Henrique, Márcio Hallack, Glaucus Inx, Celso Adolfo, Marco Antonio Araújo, Chico Amaral, Mauro Rodrigues, Milton Nascimento, Fernando Brandt, Marku Ribas, Clovis Aguiar, Milton Ramos, Enéias Xavier e Marco Antonio Guimarães, a lista é infindável.

São muitas as lendas em torno da origem e evolução das técnicas de gravação de áudio. Há rumores de cerca de 2000 anos antes de Cristo, de que um imperador chinês teria ganhado uma caixa com uma mensagem sonora e outros tantos relatos sobre o som gravado, que se torna difícil uma precisão nas afirmativas sobre o verdadeiro começo e tentativas de se registrar o som. Na literatura francesa constam informações que remontam ao século XVI e século XVIII, onde se lê passagens que nos induzem à crença de que já havia algumas investidas na busca de afixação do som, muito provavelmente, no início, da fala humana. (1)

Esse trabalho desenvolvido por Odete Ernest Dias precisa ser melhor conhecido e avaliado. É importante para que se tenha contato com a evolução da alma musical de Minas.

Músicos brasileiros contemporâneos, chegando às nossas terras, costumam exclamar, de tanto ouvir a qualidade e sutileza das melodias e harmonias que ouvem por aqui, que Minas Gerais é “país da música”. Pode ser exagero, e é, se comparamos com outros territórios, no mundo, conhecidos pela grandiosidade de sua produção musical. Não queremos nos comparar aos grandes centros europeus de criação e difusão de concertos, sinfonias e tais, concebidos através dos séculos de cultura refinada. O velho mundo e sua bagagem são incomparáveis. Nossa idéia é mais modesta e se refere, essencialmente, aos sons criados e executados pelo nosso povo e que vêm desaguar no que conhecemos como música popular mineira e brasileira. É algo que corre no sangue de nossa gente e está presente em todas as situações de sua existência. O mineiro respira notas musicais e com elas torna mais amena sua batalha pela vida ao longo da História.