Saulo Pinto Muniz nasceu em Pedra Azul, Vale do Jequitinhonha / MG, pedra bruta de Minas, em 11 de novembro de 1952, sob o signo de Escorpião.

Filho de Seu Otávio Muniz e Dona Zinha, desde menino corria atrás dos circos, aprendia truques, piadas e montava o seu próprio circo em casa, cobrando entrada e imitando com perfeição o que via no picadeiro de gente grande.

Fazia também suas touradas domésticas, seu bumba-meu-boi, além de pequenas peças infantis e cantava nas serenatas, memoráveis no folclore de Pedra Azul.

O filho do Vale seguiu aos poucos a sina de artista e se aventurou em andanças no grande picadeiro chamado Brasil, com a incumbência de trilhar o caminho como mascate dos sonhos.

Em 1966 aconteceu o inevitável: Saulo chegou a Belo Horizonte para estudar e acabou confirmando sua vocação para o teatro. Fez teatro infantil com o diretor Ricardo Bezerra, sendo eleito revelação do ano em 67, por sua participação na peça “Os Marcianos”.

Nos anos 70, como a maioria dos artistas de sua geração, Saulo foi para o Rio de Janeiro, ao lado de seu amigo e conterrâneo Heitor Pedra Azul, um grande incentivador de Saulo no início de sua carreira. Os dois montaram, em parceria, peças infantis e começaram a ganhar respeitabilidade com shows em centros culturais, universidades, teatros e festivais.

Era tempo de Tropicália, e a ponte entre o Baião de Gonzagão e a guitarra de Hendrix era asfaltada, e sem pedágio. Saulo e Heitor resolveram arriscar.

Em 1973 promoveram o terceiro festival ao ar livre do Brasil, o Transa-Som-Folk-Rock-Pop no Sertão, um marco para a região e, sobretudo, para uma geração inteira de artistas.

Mais de dez mil pessoas de todo o país, a sua maioria hippies do Rio de Janeiro, invadiram Pedra Azul para curtir o Woodstock tupiniquim, que reunia tendências musicais tão diversas quanto a música dançante do DJ Ademir, o som pop rural de Rui Mauriti, a nordestinidade sofisticada de Jorge Mello, o rock do grupo Módulo Mil e o “som maldito”de Serguei.

A palavra Jequitinhonha parecia mágica aos ouvidos da zona sul carioca, e os milhares de panfletos espalhados nas praias e no point da época, o bar Zepelim, deram resultados. Ônibus fretados saíram do Rio e rumaram para Pedra Azul. Na entrada da cidade, os dois ônibus de roqueiros foram recebidos com um autêntico "bumba-meu-boi". Estavam quebrados preconceitos e Saulo e Heitor começaram a provar o que Caetano e Gil pregavam: "a eliminação das barreiras alfandegárias da cultura".

Em 1975, um contato com Renato Corrêa de Castro, então coordenador do programa "Fantástico", da Rede Globo de Televisão, levou Saulo para São Paulo, onde sua carreira se firmou definitivamente. O point agora era a Boate Igrejinha, onde Simone e Milton Nascimento eram algumas das atrações.

Saulo contou também com o apoio do publicitário Marcus Pereira, cuja chancela tinha na época valor inestimável. Nessa ocasião conheceu o seu grande parceiro, irmão de sonhos, cantos e estradas, Dércio Marques, um autêntico e importante divulgador da cultura regional. Os dois se tornaram grandes amigos e Saulo passou a ser integrante do grupo Ínkari ao lado de Zé Gomes, Doroty Marques e Dércio Marques.

O grupo se apresentava no circuito universitário, ao lado de nomes emergentes, como Tarancon, Irene Portela, Tom Zé, Passoca, Almir Sater, Renato Teixeira, Sérgio Ricardo entre outros. Incluído num projeto da Secretaria de Cultura de São Paulo, o Ínkari percorreu mais de sessenta cidades do interior paulista. Enquanto isso, Saulo participava de um grupo paralelo, o Cantochão, ao lado de Priscila Ermel, Sérgio Sã, Eunice e Dércio Marques.

Sempre envolvido com a cultura popular como pesquisador, divulgador, Saulo não abandonou sua terra e suas raízes, onde sempre voltava para buscar o artesanato e a essência da alma daquele povo, que levava para a metrópole.

Nesse período de efervescência, Darlam Marques desempenhou um papel fundamental na carreira de Saulo. Acompanhando-o ao violão, ajudou-o a formatar uma linguagem artística ainda não vista de maneira tão densa, transformando aquele clima rústico em um estilo suave de expressar a linguagem do Brasil sertanejo e, sobretudo, latino-americano, em uma atmosfera bem pessoal.

Foi então que Saulo encontrou o percussionista maranhense Papete que, na época, fazia a direção musical da Boate Jogral, um espaço cultural que contava com um grande sucesso de público e crítica. Palco de grandes nomes da MPB.

Convidado para se apresentar naquele espaço, Saulo caiu de vez nas graças do público e dos formadores de opinião. A batida da zabumba e seu canto forte começaram a romper barreiras.

Em 1978, junto com a folclorista Vera Rosa, montou na Alameda Santos o "Fulô da Laranjeira", de onde herdou o nome artístico Saulo Laranjeira. Era um centro de cultura em que o artesanato do Jequitinhonha e de outras regiões do país se misturava a lançamentos de livros, exposições de pintura e apresentações de discos do circuito independente.

No final da noite, o público era brindado com "canjas" musicais inesquecíveis, como a do conterrâneo Paulinho Pedra Azul.

Por ali passavam também nomes como o violonista Celso Machado, o cantor Filó, Venâncio e Corumba, Banda de Pífaro de Caruaru, Grupo Maria Déia, Banda de Pau e Corda, Xangai, Elomar Figueira de Melo, Quinteto Violado, Arthur Moreira Lima, Geraldo Vandré, Heraldo do Monte, entre outros.

Daí para a "Fulô da Laranjeira" tornar-se bar, era um caminho natural. O bar logo se tornou ponto de encontro e casa de espetáculos. Com os irmãos João Muniz e Tavinho Muniz, sempre seus grandes pilares na carreira, Saulo fez da "Fulô" um verdadeiro centro de cultura, um espaço comprometido com o espírito da cultura popular e a alegria daqueles que queriam se aproximar de suas raízes e do Brasil interior. Foi na "Fulô da Laranjeira" que Saulo se consagrou definitivamente como agitador cultural e aglutinador de tendências.

A partir de 1983 a arte de Saulo Laranjeira começou a ganhar espaço em todo o Brasil. Nesse período foi convidado para participar do espetáculo “Das Terras do Benvirá” ao lado de Geraldo Vandré, no Paraguai. Lá conheceu aquele que viria ser seu grande amigo e parceiro, o cantor e compositor cearense Saldanha Rolim. Em Cascavel, Paraná, apresentou o programa Som Nascente, na TV Bandeirantes e em São Paulo o programa Raízes, na TV Record.

A partir de apreentações no programa Som Brasil, também da Rede Globo de televisão, que o artista mostrou toda a sua potencialidade, tornando-se conhecido em todo o território nacional. Começava então um novo período de grandes turnês por todo o país.

Nesse período fez cinema e teatro ao lado de grandes nomes como Lima Duarte e Andréia Beltrão. Gravou vários discos e viajou para o exterior levando seus espetáculos para um novo público. Ao longo dos anos, na medida em surgiam convites para apresentações em programas de televisão e importantes eventos culturais, germinou a semente que teria como fruto programa Arrumação, apresentado pela Rede Minas, em Belo Horizonte.

A partir do programa Arrumação, os projetos culturais se multiplicaram. Entre eles o Bar & Café Arrumação que retomou o projeto original do Fulô da Laranjeira na capital mineira e a "Caravana Arrumação - Teatro Sobre Rodas", projeto audacioso que tem como objetivo levar a musica, o teatro e a informação cultural para as praças públicas de todo o país. Foi criado também uma versão radiofônica do programa Arrumação batizado de “Estação Arrumação”.

Atualmente, ao lado dos irmãos Tavinho Muniz e João Muniz, desenvolve vários projetos culturais nas áreas de vídeo, shows, teatro e eventos culturais dando seqüência à jornada iniciada em Pedra Azul. Como um “andarilho” das artes, percorre o Brasil semeando seus sonhos.


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