14 Bis
Gênero MPB
Cidade Belo Horizonte
WEB www.14bis.com.br

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Os cinco rapazes do 14 BIS tiveram nos Beatles o fator decisivo para sua formação, além de outras influências brasileiras. Flávio Venturini, Vermelho, Hely Rodrigues, Cláudio Venturini e Sérgio Magrão, partiram dos Beatles para compreender a música brasileira e buscar um som próprio, moderno, lírico e de qualidade. Estão na estrada há quase vinte anos, tendo sobrevivido à saída do líder da banda, Flávio Venturini, em 87.

Quando Cláudio tinha nove anos e Flávio dezoito, em 1968, o tenente Castro Moreira, ou melhor, Vermelho - cujo cabelo cor de fogo não deixava dúvida sobre a razão de seu apelido- entra no cenário musical dos Venturini. O futuro tecladista, arranjador e compositor do 14 BIS conheceu Flávio , em fins de 68, quando ambos serviam juntos no CPOR, com a música e o piano como elementos de ligação de um companheirismo que atravessaria décadas. O embrião do 14 BIS já estava em formação.

Dona Dalila, mãe de Flávio e Cláudio, que sempre se dedicou ao ramo da hotelaria, além de ser grande incentivadora do talento musical da prole, alugou um quarto para o novo amigo de seu filho. Cláudio era ainda muito menino para ser aceito na roda dos rapazes, que se divertiam compondo para as namoradas - a primeira música que fizeram juntos se chamava Eliane-, cantando a duas vozes canções de Simon & Garfunkel, além dos Beatles, é claro. Em geral, compunham a música juntos e Vermelho escrevia a letra. A partir das suas participações em festivais, ainda em BH, conheceram outros letristas com quem também compuseram, como Murilo Antunes e Márcio Borges.

A primeira participação de Flávio e Cláudio Venturini em festival aconteceu em 69, no Festival Estudantil da Canção de Belo-Horizonte, que abriu as portas para a convivência com aqueles jovens músicos - Beto Guedes, Lô Borges, Tavinho Moura, Toninho Horta, Túlio Mourão - que mais tarde vieram a fazer parte do Clube da Esquina. Mas foi no Festival Universitário, quando "Espaço Branco" (Flávio e Vermelho) tirou o segundo lugar defendida pelo grupo Terço - em sua primeira formação com Sérgio Hinds, Vinícius Cantuária e Jorge Amiden - que sentiram que o sonho poderia tornar-se realidade.

A partir de 1970, Vermelho e Flávio começaram a se ausentar cada vez mais de Belo-Horizonte, rumo ao Rio e a São Paulo onde. Participaram juntos do primeiro disco de Beto Guedes, pela EMI Odeon. Logo depois, Flávio Venturini foi convidado para cantar com a dupla Sá & Guarabira em São Paulo. Lá reencontrou o grupo Terço e foi convidado para entrar e fazer parte dele. Com Flávio, o Terço lançou dois discos - Criaturas da Noite e Casa Encantada- ,ambos pela gravadora Copacabana. Já no primeiro disco o mineiro participava com várias composições que foram sucesso, consolidando a posição da banda como uma das mais importantes do país.

Mas o 14 BIS ainda demorou a chegar. Vermelho costumava frequentar os festivais de inverno que aconteciam em diversas cidades do interior de Minas e acolhiam estudantes e professores de música de todo o Brasil. Estava sempre em busca de novidades. Num desses festivais, conheceu o Bendegó, foi convidado a integrar o grupo, e passou a viajar pelo Brasil.

Enquanto Hely e Vermelho estavam no Bendegó, Flávio fazia parte do Terço. A família encarava com certo ceticismo o interesse de Cláudio pela música. Imaginava tratar-se de um deslumbramento adolescente.

Em 77, Flávio deixou o Terço. Logo em seguida, gravou A Página do Relâmpago Elétrico (EMI Odeon), primeiro disco de Beto Guedes. Cláudio, que havia terminado o curso técnico em eletrônica e já estava no ITA cursando engenharia eletrônica, cada vez mais apaixonado por música, encontrou um caminho do meio para seus talentos: foi ser técnico som dos shows de Beto. Após o lançamento no Rio, seguiram em turnê pelo Brasil.

Impossibilitado de continuar freqüentando as aulas, Cláudio largou a faculdade. Beto, Vermelho, Hely Rodrigues, Zé Eduardo e Flávio Venturini formavam a banda. Praticamente todos os futuros integrantes do 14 BIS estavam ali. Ficava faltando apenas Sérgio Magrão, o contrabaixista do grupo.

Flávio Venturini e Magrão se conheceram em São Paulo no Terço. Entre 77 e 79, já desligado do Terço, o baixista teve sua própria agência de propaganda, a Trâmite Publicidade , em sociedade com o publicitário Daniel Haar. A empresa ficava numa casa em Perdizes, um bairro em São Paulo. O 14 BIS nasceu ali no pequeno estúdio que mantinha para gravar os jingles das campanhas. Curioso o fato da maioria não estar tocando com ninguém. Desde quando Beto Guedes partiu para a carreira solo, Vermelho e Cláudio estavam em São Paulo trabalhando em aluguel de equipamentos de som para shows, que eles próprios operavam. Flávio e Vermelho tinham participado no ano anterior das gravações do Clube da Esquina II, de Milton nascimento, incluindo alguns arranjos. Cláudio, no início de 79, acompanhou Lô Borges - com quem aliás começou - no seu disco Via Láctea, além de tocar nos shows do amigo.

Mas todos queriam dar um outro rumo às suas carreiras. Flávio, Vermelho, Cláudio e Hely estavam planejando montar uma banda ainda sem nome. Precisavam de um contrabaixista e convidaram Magrão.

A gravadora EMI-Odeon vinha sondando Flávio Venturini para gravar um disco solo, este propôs o trabalho da banda, que ganhou o nome 14 BIS. Convidaram Milton Nascimento para produtor.

As canções melódicas, originais, com vocais apuradíssimos e a interessante mistura de rock progressivo e a música regional repercutiram não só entre o público mas também na crítica, que recebeu favoravelmente o trabalho. Os cinco foram retratados em estilo barroco na capa do primeiro disco pelo pintor Pedro Algaza.

Em 80, Vermelho, Magro e Flávio foram morar no mesmo prédio em Jardim Botânico, bairro da zona-sul carioca. Hely e Cláudio preferiram fazer ponte aérea Rio-BH, mas transformaram o Hotel Astória em segundo lar. Venderam 70 mil cópias do disco, o que para a época era considerada

uma performance excelente. " Canção da América" e " Natural" estouraram nas rádios.

Em 1980, lançaram o segundo LP, o 14 BIS II, que trazia um clássico da década, "Caçador de mim". Mais tarde Simone e Milton Nascimento regravaram "Caçador de mim". Os sucessos se multiplicavam. Cada disco tinha parada obrigatória, às vezes com duas ou mais músicas, na lista das mais executadas das rádios de todo o Brasil. Espelho das Águas (EMI/81) com " A qualquer tempo", " Nos bailes da vida" e " Mesmo de brincadeira"; Além, Paraíso (EMI/82) com "Uma velha canção rock'n roll" e "Linda juventude"; Idade da Luz(EMI/83) - com parte da produção feita em Los Angeles - com "Todo azul do mar" e "Nave de prata".

Com A Nave Vai (EMI/85), a preocupação em utilizar os melhores recursos tecnológicos à disposição no mercado redobrou. O esmero nos arranjos também. Sentiram necessidade de trocar experiências com outros músicos. Convidaram o saxofonista Leo Gandelman para participar dos arranjos da faixa "Só se for", sucesso do disco Sete(EMI/87) contou com a participação de Renato Russo ("Mais uma vez") e Kiko Zambianchi("Templo").

Ainda em 87, um acontecimento veio modificar o rumo do 14 BIS. Desde 82, Flávio Venturini vinha se equilibrando na corda banda para conciliar duas agendas. Tentou ao máximo desenvolver sua carreira solo sem prejuízo da banda. Até ali tinha conseguido, mas às custas de um desgaste enorme. Com a aprovação e o incentivo da banda, fizeram um último disco juntos ( 14 BIS ao Vivo/EMI/87), gravado ao vivo no Palácio das Artes, em Belo-Horizonte. A saída de Flávio não alterou a agenda de mais de cem shows anuais da banda. O novo disco, Quatro por Quatro (EMI/93), demorou um pouco a chegar.

Foram convidados pelo produtor Mariozinho Rocha para entrar na trilha da novela Pedra sobre Pedra, da TV Globo, com "Dona de mim" (Moacyr Luz e Aldir Blanc). Cláudio, Hely, Vermelho e Magrão ainda tiveram que passar por uma nova transição. Saíram da EMI após quase 15 anos de trabalho, o mesmo tempo que tinham de carreira. Em 95 lançaram o CD Siga o Sol, já pela gravadora Velas. Tiveram carta branca e gravaram em Nova York, onde permaneceram um mês, com o produtor Mairton Bahia, o mesmo de João Gilberto e Legião Urbana.

Uma nova experiência os aguardava entre 97 e 98. Foram contratados juntamente com o grupo vocal Boca Livre para fazer shows no interior de São Paulo. O encontro foi um êxito junto ao público, um verdadeiro achado. Desde então, os dois grupos separaram parte da agenda para um trabalho em conjunto.

Em 1999 foi lançado o acústico do 14 BIS com participações especiais de Flávio Venturini, Beto Guedes, Lô Borges, Milton Nascimento e do Boca Livre. Em 2001 os shows realizados com o Boca Livre transfrmaram-se-se em um cd gravado ao vivo no ATL Hall, Rio de Janeiro. Em 2004 o grupo lançou um cd de músicas inéditas: Outros Planos.

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